PRECE ÁRABE
"Deus, não consintas que eu seja o carrasco que sangra as ovelhas, nem uma ovelha nas mãos dos algozes. Ajuda-me a dizer sempre a verdade na presença dos fortes, e jamais dizer mentiras para ganhar os aplausos dos fracos.
Meu Deus! Se me deres a fortuna, não me tires a felicidade; se me deres a força, não me tires a sensatez; se me for dado prosperar, não permita que eu perca a modéstia, conservando apenas o orgulho da dignidade.
Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas, para não enxergar a traição dos adversários, nem acusá-los com maior severidade do que a mim mesmo. Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória, quando bem sucedido e nem desesperado quando sentir insucesso. Lembra-me que a experiência de um fracasso poderá proporcionar um progresso maior.
Ó Deus! Faz-me sentir que o perdão é maior índice da força e que a vingança é prova de fraqueza.
Se me tirares a fortuna, dei-me a esperança. Se me faltar a beleza da saúde, conforta-me com a graça da fé. E quando me ferir a ingratidão e a incompreensão dos meus semelhantes, cria em minha alma a força de desculpa e do perdão.
E finalmente Senhor, se eu te esquecer, te rogo mesmo assim, nunca Te esqueças de mim!"
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A dita Prece Árabe que circula ente nós, realmente, é muito bonita e com um conteúdo consistente, mas não tem origem na religiosidade islâmica, embora com linguagem que induz a pensar a cultura do povo e apenas foi criada aleatoriamente servindo de inspiração. Aliás, tem referência direta com os ensinamentos sobre o enigma da vida. O tema diz respeito ao saber se posicionar no meio, com humildade, correção e desprendimento, das coisas que dão relevo pessoal. Não que devamos esquecer de nós mesmos e nos subjugarmos aos baixos instintos do demais, ou das vicissitudes da vida. Devemos viver, ombreando com tudo o que nos cerca, mas com fraternidade, compreendendo o nosso papel nesta vida que, por sua vez, é consequência de outras vidas passadas e, ao mesmo tempo, preparação para outras vidas futuras. Permeia o texto, o fundamento de todas as outras correntes filosófico-religiosas, desde os antigos caldeus, passando pelos fundadores do monoteísmo, os israaelitas, depois os cristãos e, mais adiante, os islamitas, todos crentes de um só Deus. Mas, antes, há os egípcios, precursos do pensamento monoteísta, cujos fundamentos espiritualistas e teológicos deram base para a formação de tendências e de pensamentos religiosos e psicossociais que persistem até hoje. Desse meio, surge, então, aquele que considero o meu grande guru no direcionamento da minha vida que é Pitágoras, sábio grego que, depois de estudar recolhidamente durante décadas com Hermes Trismegisto, soube sintetizar a cultura espiritual e iniciática do Egito e lançou as bases de uma nova visão quando retornou à Grécia. Na sua terra, constituiu uma estrutura de estudos que, hoje, poderia se dizer, era idêntica à do pensamento esotérico e iniciático atual, mas com fundamentos mais rígidos do que temos atualmente e, onde, se objetivava a melhoria da sociedade, por meio desses agentes indutores. Sabe-se muito pouco do funcionamento dessa escola pitagórica, mas, desse pouco, sabemos que o estudo procurava consolidar o aperfeiçoamento pessoal para que, no contexto do grupo, houvesse a transformação social.
Ainda, nesse tempo antigo, surgiu o Hinduismo, há 5000 anos e que contribuiu para a formação da mente dos povos antigos; mais tarde, há 2600 anos, surge o Budismo, também com bases novas. Ambas essas religiões/filosofias deram fundamentos para os preceitos judeus, cristãos e islâmicos posteriores. Os nossos aprendizados devem buscar o conhecimento de todas essas correntes antigas, tanto para quem crê em um Deus, como para os ateus, para que possamos estruturar um núcleo de ensinamento e de pensamento adequado para uma visão Humanista do tempo em que vivemos.

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